GERALDO AZEVEDO LANÇA O DVD ‘Solo Contigo’ Cantor e compositor registrou pela primeira vez seu show de voz & violão

Geraldo Azevedo lança seu quarto DVD, o terceiro ao vivo, em parceria com o Canal Brasil e a Deck. O trabalho é o primeiro registro do show solo de voz & violão do cantor e compositor pernambucano, com o qual já excursionou por todo o país, sendo este o formato mais recorrente em toda a sua carreira. Intimista e delicada, a apresentação tem um clima aconchegante, envolvendo e emocionando a plateia com seu repertório variado, onde não falta espaço para os grandes sucessos e músicas inéditas.

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Acompanhado de seu virtuoso violão,Geraldo Azevedo passeia por mais de cinco décadas de composições, apresentando desde sucessos do início de sua carreira até canções do seu último álbum, “Salve São Francisco”, incluindo também algumas músicas inéditas, como “Amor Antigramático” (composta por Geraldo a partir de poema de Mário Lago), e uma homenagem a Luiz Melodia, com “Estácio, Eu e Você”. Entre os sucessos, “Bicho de Sete Cabeças” (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha), “Dia Branco” (Geraldo Azevedo e Renato Rocha) e “Táxi Lunar” (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Alceu Valença) estão no repertório.

O cenário, elaborado pelo artista Fabio de Souza, é formado por 400 baixelas simulando prata, que refletem e emolduram as cenas dos mais de 50 anos de carreira de Geraldo Azevedo. O figurino, de Gustavo de Carvalho, e a luz, pilotada por Valmyr Ferreira, dialogam com o grande painel, batizado de “O tempo e sua própria natureza”.

As muitas músicas de Geraldo Azevedo

Por Braulio Tavares

A música popular brasileira tem muitas linhas evolutivas, que correm paralelas. Cada linha de uma cor, tecendo a si própria. E cabe aos compositores, cantores, maestros e músicos em geral misturar essas linhas, envolver umas nas outras, e produzir uma espécie de tecido musical.

Geraldo Azevedo faz isso há mais de quarenta anos, numa carreira de incontáveis discos e incontáveis shows. E poucos da sua geração tiveram essa musicalidade exuberante capaz de arrebatar, com apenas duas mãos e o instrumento do mundo, essas linhas que às vezes nem tocam umas nas outras.

Quem vê Bossa Nova nas harmonias sofisticadas de Geraldo se detém antes de chamá-lo Bossa Nova, porque ao seu lado já outra pessoa aponta os traços tropicalistas: o namoro com a batida pop, a celebração simultânea da natureza e do trabalho, a latinidade alegremente assumida.

Mas quem pensa em colocá-lo na prateleira tropicalista vê-se hesitante pela veia nordestina de sertanejo ou de barqueiro beira-rio, uma nordestinidade que é menos proclamada do que percebida ao longo do tempo e da voz.

Nordestino? Sim, mas como ignorar a presença de uma mãe África tão poderosa e inspiradora, geradora de ritmos e contratempos, de batuque percutindo no bordão? Uma África de cantos e memórias, linha negra reluzente que prende e segura as demais, deixando tudo justinho para balançar sem perder a forma.

E assim essa partitura de fios vai se tecendo, conduzida sempre pelo violão de Geraldo, ao qual bolero, o jazz e o rock também não são estranhos nem estrangeiros. Ele é o tecedor paciente de uma das grandes sínteses musicais da Música Popular Brasileira, na geração de muitas músicas capazes de soarem juntas sem tropeção no ritmo nem desafinada no tom.

Com um violão aberto a todas as audições e influências, Geraldo Azevedo ouve, recolhe, domestica, recria, recompõe, dá cara nova e devolve ao mundo tudo que faz parte do oceano de sons em que o brasileiro da rua vive mergulhado.

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